Nobel de Literatura
Prêmio Nobel da Literatura Nobelpriset i litteratur | |
|---|---|
| Descrição | Prémio literário |
| Organização | Academia sueca |
| Local | Estocolmo |
| País | |
| Primeira cerimónia | 1901 |
| Última cerimónia | 2017 |
Sítio oficial | |
Nobel de Literatura (em sueco: Nobelpriset i litteratur) é um prêmio literário concedido anualmente desde 1901. É atribuído a um autor de qualquer nacionalidade que, de acordo com as palavras do próprio Alfred Nobel, criador da distinção, tenha produzido, através do campo literário, o mais magnífico trabalho em uma direção ideal (originalmente do sueco: den som inom litteraturen har producerat det utmärktaste i idealisk riktning). O "trabalho" referido aqui significa, para Nobel, a obra inteira desse escritor, seus principais livros, sua mentalidade, seu estilo e suas filosofias, não distinguindo uma obra em particular.
A Academia Sueca é quem escolhe esse escritor e o anuncia no começo do mês de outubro de cada ano. Para muitos, é esse o maior e mais distinto prêmio que um escritor ou uma escritora pode receber dentro do ramo da literatura.
O prémio/prêmio é por vezes consensual e por vezes polêmico, já que muitos consideram que tem ignorado autores mundialmente reconhecidos. Alguns especialistas assinalam que grandes autores clássicos do século XX não receberam o prémio. Segundo David Remnick, director da revista The New Yorker, escritores como Marcel Proust, James Joyce ou Vladimir Nabokov deveriam ter recebido a distinção.[1] Críticos literários como Emmanuel Carballo e Sergio Nudelstejer juntam a esta lista os nomes de Franz Kafka ou Jorge Luis Borges.[2]Adolfo Castañón inclui ainda Julio Cortázar e Juan Carlos Onetti.[2]Kjell Espmark, membro da Academia Sueca, indica numa obra sua mais nomes omitidos como Liev Tolstói, Émile Zola, Henrik Ibsen ou Paul Valéry, para mencionar apenas alguns.[3]
Dois dos galardoados com o prêmio recusaram-no: Boris Pasternak (1958), por forte pressão do governo soviético, e Jean-Paul Sartre (1964), que alegou que a sua aceitação implicaria perder a sua identidade de filósofo.
Lista dos laureados |
Esta é a lista dos premiados com o Nobel de Literatura:
| Ano | Nº | Imagem | Nome | País | Citação |
|---|---|---|---|---|---|
1901 | 1 | Sully Prudhomme (1839-1907) | "em especial reconhecimento a sua composição poética, que dá provas de idealismo elevado, perfeição artística e uma combinação rara das qualidades do coração e do intelecto"[4] | ||
1902 | 2 | Theodor Mommsen (1817-1903) | "o maior mestre vivo da arte da escrita histórica, com referência especial à sua monumental obra, A História de Roma"[5] | ||
1903 | 3 | Bjørnstjerne Bjørnson (1832-1910) | "como um tributo à sua poesia nobre, magnífica e versátil, que sempre se distinguiu pela frescura da sua inspiração como pela rara pureza do seu espírito"[6] | ||
1904 | 4 | José Echegaray (1832-1916) | "em reconhecimento às inúmeras e brilhantes composições que, de forma individual e original, reviveram as grandes tradições do drama espanhol"[7] | ||
| 5 | Frédéric Mistral (1830-1914) | "em reconhecimento à originalidade fresca e verdadeira inspiração de sua produção poética, que reflete fielmente o cenário natural e o espírito nativo do seu povo, e, além disso, seu trabalho significativo como um filólogo provençal"[7] | |||
1905 | 6 | Henryk Sienkiewicz (1846-1916) | (nascido na | "por causa de seus notáveis méritos como escritor épico"[8] | |
1906 | 7 | Giosuè Carducci (1835-1907) | "não apenas em consideração a sua aprendizagem profunda e investigação crítica, mas sobretudo como uma homenagem à energia criativa, o frescor do estilo, e a força lírica que caracterizam suas obras poéticas"[9] | ||
1907 | 8 | Rudyard Kipling (1865-1936) | (nascido na | "em consideração ao poder de observação, originalidade de imaginação, virilidade de ideias e talento notável para a narração que caracterizam as criações deste autor mundialmente famoso"[10] | |
1908 | 9 | Rudolf Eucken (1846-1926) | "em reconhecimento à sua busca sincera da verdade, sua penetrante força de pensamento, seu amplo campo de visão, e o calor e a firmeza de apresentação com as quais, em seus numerosos trabalhos, tem justificado e desenvolvido uma idealista filosofia de vida"[11] | ||
1909 | 10 | Selma Lagerlöf (1858-1940) | "em apreciação pelo idealismo sublime, imaginação vívida e percepção espiritual que caracterizam seus escritos"[12] | ||
1910 | 11 | Paul Johann Ludwig von Heyse (1830-1914) | "como um tributo à habilidade artística completa, impregnada de idealismo, que demonstrou durante sua longa e produtiva carreira como poeta lírico, dramaturgo, romancista e escritor de contos de renome mundial"[13] | ||
1911 | 12 | Maurice Maeterlinck (1862-1949) | "em apreciação às suas atividades literárias multifacetadas, e especialmente por seus trabalhos dramáticos, que se distinguem por uma riqueza de imaginação e uma fantasia poética, que revelam, por vezes sob a forma de um conto de fadas, uma inspiração profunda, enquanto que de uma maneira misteriosa, apelam para os sentimentos dos próprios leitores e estimulam suas imaginações"[14] | ||
1912 | 13 | Gerhart Hauptmann (1862-1946) | "principalmente em reconhecimento à sua produção fértil, variada e de destaque no domínio da arte dramática"[15] | ||
1913 | 14 | Rabindranath Tagore (1861-1941) | (nascido na | "pelo seu poema profundamente sensível, fresco, e belo, pelo qual, com consumada perícia, ele fez do seu pensamento poético, expresso nas suas próprias palavras inglesas, uma parte da literatura do ocidente"[16] | |
1914 | O prêmio não foi atribuído | ||||
1915 | 15 | Romain Rolland (1866-1944) | "como um tributo ao elevado idealismo de sua produção literária e pela simpatia e amor à verdade com os quais descreveu os diferentes tipos de seres humanos"[17] | ||
1916 | 16 | Verner von Heidenstam (1859-1940) | "em reconhecimento do seu significado como o representante principal de uma nova era em nossa literatura"[18] | ||
1917 | 17 | Karl Adolph Gjellerup (1857-1919) | "por sua poesia variada e rica, que é inspirada por nobres ideais"[19] | ||
| 18 | Henrik Pontoppidan (1857-1943) | "por suas descrições autênticas da vida de hoje na Dinamarca"[19] | |||
1918 | O prêmio não foi atribuído | ||||
1919 | 19 | Carl Spitteler (1845-1924) | "em especial agradecimento por seu épico, Primavera Olímpica"[20] | ||
1920 | 20 | Knut Hamsun (1859-1952) | "por seu trabalho monumental, Os Frutos da Terra"[21] | ||
1921 | 21 | Anatole France (1844-1924) | "em reconhecimento por suas brilhantes realizações literárias, caracterizadas como elas são, por uma nobreza de estilo, uma profunda simpatia humana, graça, e um verdadeiro temperamento gaulês"[22] | ||
1922 | 22 | Jacinto Benavente (1866-1954) | "pelo modo agradável com que deu sequência ao tradicional drama espanhol"[23] | ||
1923 | 23 | William Butler Yeats (1865-1939) | "por sua poesia sempre inspirada, que em uma forma altamente artística dá expressão ao espírito de uma nação inteira"[24] | ||
1924 | 24 | Władysław Reymont (1867-1925) | "por seu grande épico nacional, Os Camponeses"[25] | ||
1925 | 25 | George Bernard Shaw (1856-1950) | "por seu trabalho que é marcado pelo idealismo e humanidade, sua sátira estimulante muitas vezes sendo infundida com uma singular beleza poética"[26] | ||
1926 | 26 | Grazia Deledda (1871-1936) | "por seus escritos idealisticamente inspirados que, com clareza plástica descreve a vida na sua ilha natal e com profundidade e simpatia trata dos problemas humanos em geral"[27] | ||
1927 | 27 | Henri Bergson (1859-1941) | "em reconhecimento às suas ideias ricas e vitalizantes e à habilidade genial com que elas têm sido apresentadas"[28] | ||
1928 | 28 | Sigrid Undset (1882-1949) | "principalmente pelas suas fortes descrições da vida nórdica durante a Idade Média"[29] | ||
1929 | 29 | Thomas Mann (1875-1955) | "principalmente por seu grande romance, Buddenbrooks, que ganhou reconhecimento cada vez maior como uma das obras clássicas da literatura contemporânea"[30] | ||
1930 | 30 | Sinclair Lewis (1885-1951) | "por sua arte vigorosa e gráfica de descrição e sua capacidade de criar com sagacidade e humor, novos tipos de personagens"[31] | ||
1931 | 31 | Erik Axel Karlfeldt (1864-1931) | "A poesia de Erik Axel Karlfeldt"[32] | ||
1932 | 32 | John Galsworthy (1867-1933) | "por sua arte distinta de narração, que tem sua forma mais elevada em The Forsyte Saga"[33] | ||
1933 | 33 | Ivan Bunin (1870-1953) | "pela habilidade artística precisa com que deu continuidade às tradições clássicas russas na prosa"[34] | ||
1934 | 34 | Luigi Pirandello (1867-1936) | "por sua revitalização arrojada e engenhosa da arte dramática e cênica"[35] | ||
1935 | O prêmio não foi atribuído | ||||
1936 | 35 | Eugene O'Neill (1888-1953) | "pela força, honestidade e emoções intensas de suas obras dramáticas, que incorporam um conceito original da tragédia"[36] | ||
1937 | 36 | Roger Martin du Gard (1881-1958) | "pela força artística e verdade com que descreveu os conflitos humanos, bem como alguns aspectos fundamentais da vida contemporânea em seu ciclo de romances Les Thibault"[37] | ||
1938 | 37 | Pearl S. Buck (1892-1973) | "por suas ricas e verdadeiras descrições épicas da vida dos camponeses na China e por seus trabalhos biográficos"[38] | ||
1939 | 38 | Frans Eemil Sillanpää (1888-1964) | "por seu profundo entendimento dos camponeses de seu país e pela arte requintada com que retratou seus modos de vida e suas relações com a natureza"[39] | ||
1940 | O prêmio não foi atribuído | ||||
1941 | |||||
1942 | |||||
1943 | |||||
1944 | 39 | Johannes Vilhelm Jensen (1873-1950) | "pela força rara e fertilidade de sua imaginação poética com a qual se combinam uma curiosidade intelectual de amplo alcance e um estilo arrojado, vivamente criativo"[40] | ||
1945 | 40 | Gabriela Mistral (1889-1957) | "por sua poesia lírica, inspirada por fortes emoções, que fez de seu nome um símbolo das aspirações idealistas de todo o mundo latino-americano"[41] | ||
1946 | 41 | Hermann Hesse (1877-1962) | "por seus escritos inspirados que, enquanto crescem em audácia e penetração, exemplificam os ideais humanitários clássicos e as altas qualidades de estilo"[42] | ||
1947 | 42 | André Gide (1869-1951) | "por seus escritos solidários e artisticamente significativos, nos quais os problemas e as condições humanas são apresentados com um destemido amor pela verdade e uma intuição psicológica aguda"[43] | ||
1948 | 43 | T. S. Eliot (1888-1965) | (nasceu nos | "por sua contribuição pioneira e notável à poesia contemporânea"[44] | |
1949 | 44 | William Faulkner (1897-1962) | "por sua contribuição forte e artisticamente incomparável para o moderno romance americano"[45] | ||
1950 | 45 | Bertrand Russell (1872-1970) | "em reconhecimento aos seus escritos variados e significativos, nos quais defende os ideais humanitários e a liberdade de pensamento"[46] | ||
1951 | 46 | Pär Lagerkvist (1891-1974) | "pelo vigor artístico e verdadeira independência de pensamento com que esforça-se, em sua poesia, para achar respostas para as eternas questões que afrontam a humanidade"[47] | ||
1952 | 47 | François Mauriac (1885-1970) | "pela intuição espiritual profunda e pela intensidade artística com que, em seus romances, penetrou no drama da vida humana"[48] | ||
1953 | 48 | Winston Churchill (1874-1965) | "por sua maestria na descrição histórica e biográfica, bem como pela brilhante oratória em defesa dos valores humanos"[49] | ||
1954 | 49 | Ernest Hemingway (1899-1961) | "por sua maestria da arte narrativa, mais recentemente demonstrada em "O Velho e O Mar", e pela influência que exerceu no estilo contemporâneo "[50] | ||
1955 | 50 | Halldór Laxness (1902-1998) | "por seu épico vívido e poderoso que renovou a grande arte narrativa da Islândia"[51] | ||
1956 | 51 | Juan Ramón Jiménez (1881-1958) | "por sua poesia lírica, que na língua espanhola constitui um exemplo de espírito elevado e pureza artística"[52] | ||
1957 | 52 | Albert Camus (1913-1960) | (nascido na Argélia, na época da entrega do prêmio sob soberania francesa) | "por sua produção literária importante, que com lúcida sinceridade ilumina os problemas da consciência humana em nossos tempos"[53] | |
1958 | 53 | Boris Pasternak (1890-1960) | "por sua importante conquista tanto na poesia lírica contemporânea como no campo da grande e épica tradição russa"[54] | ||
1959 | 54 | Salvatore Quasimodo (1901-1968) | "por sua poesia lírica, que com fogo clássico expressa a experiência trágica da vida em nossos tempos"[55] | ||
1960 | 55 | Saint-John Perse (1887-1975) | "pelos vôos e imagens evocativas da sua poesia, que de uma forma visionária refletem as condições do nosso tempo"[56] | ||
1961 | 56 | Ivo Andrić (1892-1975) | "pela força épica com a qual ele traçou temas e descreveu destinos humanos desenhados a partir da história de seu país"[57] | ||
1962 | 57 | John Steinbeck (1902-1968) | "por seus escritos realistas e imaginativos, combinando-os com humor simpático e percepção social afiado"[58] | ||
1963 | 58 | Giórgos Seféris (1900-1971) | "pela sua escrita eminentemente lírica, inspirada por um sentimento profundo para o mundo helênico de cultura"[59] | ||
1964 | 59 | Jean-Paul Sartre (1905-1980) | "que pelo seu trabalho, rico em idéias e preenchido com o espírito da liberdade e em busca da verdade, exerceu uma influência profunda na nossa época"[60] | ||
1965 | 60 | Michail Sholokhov (1905-1984) | "pelo poder artístico e integridade com a qual, em seu épico Don, ele deu expressão a uma fase histórica na vida do povo russo".[61] | ||
1966 | 61 | Shmuel Yosef Agnon (1888-1970) | "por sua arte narrativa profundamente característica com motivos da vida do povo judeu."[62] | ||
| 62 | Nelly Sachs (1891-1970) | "pela sua excelente escrita lírica e dramática, que interpreta o destino de Israel com toque de força."[62] | |||
1967 | 63 | Miguel Ángel Asturias (1899-1974) | "para sua realização vívida literária, profundamente enraizada nos traços nacionais e tradições dos povos indígenas da América Latina."[63] | ||
1968 | 64 | Yasunari Kawabata (1899-1972) | "por sua maestria narrativa, que com grande sensibilidade expressa a essência da mente japonesa."[64] | ||
1969 | 65 | Samuel Beckett (1906-1989) | "pela sua escrita, que - em novas formas para o romance e drama - na destituição do homem moderno adquire sua elevação."[65] | ||
1970 | 66 | Alexander Soljenítsin (1918-2008) | "pela força ética com a qual ele tem perseguido as indispensáveis tradições da literatura russa."[66] | ||
1971 | 67 | Pablo Neruda (1904-1973) | "pela poesia que, com a ação de uma força elemental, reaviva o destino e os sonhos de um continente."[67] | ||
1972 | 68 | Heinrich Böll (1917-1985) | "pela sua escrita que, através da combinação de uma perspectiva ampla sobre seu tempo com uma habilidade sensível de caracterização, contribuiu para a renovação da literatura alemã."[68] | ||
1973 | 69 | Patrick White (1912-1990) | "por uma arte narrativa épica e psicológica que introduziu um novo continente à Literatura."[69] | ||
1974 | 70 | Eyvind Johnson (1900-1976) | "por uma narrativa, perspicaz em terras em terra e idades, a serviço da liberdade."[70] | ||
| 71 | Harry Martinson (1904-1978) | "por escritos que capturam a gota de orvalho e refletem sobre o cosmos."[70] | |||
1975 | 72 | Eugenio Montale (1896-1981) | "por sua poesia distinta que, com grande sensibilidade artística, interpretou os valores humanos sob o signo de uma visão da vida sem ilusões."[71] | ||
1976 | 73 | Saul Bellow (1915-2005) | "para o entendimento humano e sutil análise da cultura contemporânea que são combinados em sua obra" | ||
1977 | 74 | Vicente Aleixandre (1898-1984) | "para uma escrita poética criativa que ilumina a condição do homem no cosmos e na sociedade atual, ao mesmo tempo que representa a grande renovação das tradições de poesia espanhola entre as guerras". | ||
1978 | 75 | Isaac Bashevis Singer (1902-1991) | "Por sua apaixonante narrativa artística que, com suas raízes na cultura tradicional polaco judaica,traz a condição universal e humana para a vida". | ||
1979 | 76 | Odysséas Elýtis (1911-1996) | "pela sua poesia, que, com a tradição grega em pano de fundo, descreve com força sensorial e visão intelectual a luta do homem moderno pela liberdade e criatividade" | ||
1980 | 77 | Czesław Miłosz (1911-2004) | "que com visão descomprometida oferece a voz à condição exposta do homem num mundo de conflitos severos" | ||
1981 | 78 | Elias Canetti (1905-1994) | Bulgária
| "por escritos marcados por uma ampla perspectiva, uma riqueza de ideias e poder artístico." | |
1982 | 79 | Gabriel García Márquez (1927-2014) | "pelos seus romances e contos, em que o fantástico e o real se combinam num mundo densamente composto pela imaginação, reflectindo a vida e os conflitos de um continente" | ||
1983 | 80 | William Golding (1911-1993) | "pelos seus romances que, com a perspicácia da arte narrativa e a diversidade e universalidade do mito, lançam luz sobre a condição humana hoje em dia" | ||
1984 | 81 | Jaroslav Seifert (1901-1986) | "pela sua poesia que dotada de frescura, e poder inventivo oferece uma imagem libertadora do indomável espírito e versatilidade do Homem" | ||
1985 | 82 | Claude Simon (1913-2005) | "que no seu romance combina a criatividade do poeta e a do pintor com um sentido aprofundado do tempo no retrato que faz da condição humana" | ||
1986 | 83 | Wole Soyinka (1934-) | "que numa perspectiva cultural ampla e com segundos sentidos poéticos perscruta o drama da existência" | ||
1987 | 84 | Joseph Brodsky (1940-1996) | "por um trabalho de grande envergadura, imbuído de clareza de pensamento e intensidade poética" | ||
1988 | 85 | Naguib Mahfouz (1911-2006) | "que, por trabalhos ricos em matizes - já vividamente realistas, já evocativamente ambíguos - formou uma arte narrativa árabe que se aplica a toda a humanidade" | ||
1989 | 86 | Camilo José Cela (1916-2002) | "por uma prosa rica e intensa, que com compaixão contida forma uma visão desafiadora da vulnerabilidade humana" | ||
1990 | 87 | Octavio Paz (1914-1998) | "por uma escrita apaixonada de horizontes largos, caracterizada por inteligência sensorial e integridade humanista" | ||
1991 | 88 | Nadine Gordimer (1923-2014) | "que pela sua magnífica escrita epica trouxe - nas palavras de Alfred Nobel - um grande benefício para a Humanidade" | ||
1992 | 89 | Derek Walcott (1930-2017) | "por uma obra poética de grande luminosidade, sustentada numa visão histórica, o resultado de um compromisso multicultural" | ||
1993 | 90 | Toni Morrison (1931-) | "que em romances caracterizados por força visionária e lastro poético, oferece vida a um aspecto essencial da realidade dos Estados Unidos" | ||
1994 | 91 | Kenzaburo Oe (1935-) | "que com força poética cria um mundo imaginado, onde a vida e o mito se condensam para formar o desenho desconcertante das dificuldades do homem de hoje" | ||
1995 | 92 | Seamus Heaney (1939-2013) | "por trabalhos de uma beleza lírica e profundidade ética, quer exaltam os milagres quotidianos e o viver passado" | ||
1996 | 93 | Wisława Szymborska (1923-2012) | "pela poesia que, com precisão irônica, permite que contextos históricos e biológicos venham à tona, em fragmentos de realidade humana" | ||
1997 | 94 | Dario Fo (1926-2016) | "que emula os bobos medievais no questionar da autoridade e no apoio à dignidade dos caídos" | ||
1998 | 95 | José Saramago (1922-2010) | "que, com parábolas portadoras de imaginação, compaixão e ironia torna constantemente compreensível uma realidade fugidia"[72] | ||
1999 | 96 | Günter Grass (1927-2015) | "que, com vivas fábulas negras, desenhou o rosto oculto da história" | ||
2000 | 97 | Gao Xingjian (1940-) | "por uma obra de valor universal, uma lucidez amarga e uma ingenuidade linguística que abriram novos caminhos para o romance e o teatro chineses" | ||
2001 | 98 | Vidiadhar Naipaul (1932-2018) | "por ter unido narrativa perceptiva e escrutínio incorruptível em obras que nos compelem a ver a presença de histórias suprimidas" | ||
2002 | 99 | Imre Kertész (1929-2016) | "pela escrita que apoia a frágil experiência do indivíduo contra a bárbara arbitrariedade da história" | ||
2003 | 100 | J.M. Coetzee (1940-) | "que com inumeráveis disfarces retrata o envolvimento surpreendente do forasteiro" | ||
2004 | 101 | Elfriede Jelinek (1946-) | "pelo seu fluxo musical de vozes e contra-vozes em novelas e peças que com extraordinário zelo linguístico revelam o absurdo dos clichés/clichês da sociedade e o seu poder subjugante" | ||
2005 | 102 | Harold Pinter (1930-2008) | "que nas suas peças descobre o precipício sob o murmúrio do cotidiano (português brasileiro) ou quotidiano (português europeu) e força a entrada nos quartos escuros da opressão" | ||
2006 | 103 | Orhan Pamuk (1952-) | "que na busca pela alma melancólica da sua cidade natal descobriu novos símbolos para o choque e interligação de culturas" | ||
2007 | 104 | Doris Lessing (1919-2013) | "tal epicista da experiência feminina que, com ceticismo, ardor e poder visionário sujeitou uma civilização dividia ao escrutínio" | ||
2008 | 105 | Jean-Marie Gustave Le Clézio (1940-) | "autor de novas partidas, aventura poética e êxtase sensual, explorador da humanidade além e sob a civilização regente" | ||
2009 | 106 | Herta Müller (1953-) | "que, com a densidade da sua poesia e franqueza da prosa, retrata o universo dos desapossados".[73] | ||
2010 | 107 | Mario Vargas Llosa (1936-) | "por sua cartografia das estruturas de poder e de imagens, e sua mordaz resistência, revolta e derrota do indivíduo"[74] | ||
2011 | 108 | Tomas Tranströmer (1931-2015) | "que, pelas suas condensadas e translúcidas imagens, nos dá um novo acesso à realidade"[75] | ||
2012 | 109 | Mo Yan (1955-) | "que com realismo alucinatório funde contos populares, história e contemporaneidade"[76] | ||
2013 | 110 | Alice Munro (1931-) | "mestra do conto contemporâneo"[77] | ||
2014 | 111 | Patrick Modiano (1945-) | "pela arte da memória com a qual ele evocou os destinos humanos mais inatingíveis e descobriu a vida do mundo da ocupação [alemã]".[78][79] | ||
2015 | 112 | Svetlana Alexijevich (1948-) | "pelos seus escritos polifônicos,um monumento ao sofrimento e à coragem em nosso tempo"[80] | ||
2016 | 113 | Bob Dylan (1941-) | "por ter criado novos modos de expressão poética no quadro da tradição da música americana"[81] | ||
2017 | 114 | Kazuo Ishiguro (1954-) | "que, em romances de grande força emocional, descobriu o abismo sob nosso ilusório senso de conexão com o mundo"[82] | ||
| 2018 | Não será atribuído, devido a escândalos sexuais envolvendo Jean-Claude Arnault, marido de Katarina Frostenson, membro da Academia Suéca, uma das responsáveis pela escolha do premiado com o Nobel de Literatura.[83][84] | ||||
Referências
↑ Silvina Friera (9 de Outubro de 2008). «Todos contra o Nobel» (em espanhol). Consultado em 9 de novembro de 2008
↑ ab Luis Carlos Sánchez, Virginia Bautista e Patricia Cordero (9 de Outubro de 2008). «Grandes ausentes de la Literatura» (em espanhol). Consultado em 9 de novembro de 2008
↑ Javier Rodríguez Marcos (9 de Outubro de 2008). «Así se cuece un Premio Nobel» (em espanhol). Consultado em 9 de novembro de 2008
↑ «Nobel Prize in Literature 1901». Fundação Nobel. Consultado em 2 de março de 2010
↑ «Nobel Prize in Literature 1902». Fundação Nobel. Consultado em 2 de março de 2010
↑ «Nobel Prize in Literature 1903». Fundação Nobel. Consultado em 2 de março de 2010
↑ ab «Nobel Prize in Literature 1904». Fundação Nobel. Consultado em 2 de março de 2010
↑ «Nobel Prize in Literature 1905». Fundação Nobel. Consultado em 2 de março de 2010
↑ «Nobel Prize in Literature 1906». Fundação Nobel. Consultado em 2 de março de 2010
↑ «Nobel Prize in Literature 1907». Fundação Nobel. Consultado em 2 de março de 2010
↑ «Nobel Prize in Literature 1908». Fundação Nobel. Consultado em 2 de março de 2010
↑ «Nobel Prize in Literature 1909». Fundação Nobel. Consultado em 2 de março de 2010
↑ «Nobel Prize in Literature 1910». Fundação Nobel. Consultado em 2 de março de 2010
↑ «Nobel Prize in Literature 1911». Fundação Nobel. Consultado em 3 de março de 2010
↑ «Nobel Prize in Literature 1912». Fundação Nobel. Consultado em 3 de março de 2010
↑ «Nobel Prize in Literature 1913». Fundação Nobel. Consultado em 3 de março de 2010
↑ «Nobel Prize in Literature 1915». Fundação Nobel. Consultado em 3 de março de 2010
↑ «Nobel Prize in Literature 1916». Fundação Nobel. Consultado em 3 de março de 2010
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↑ «Academia Sueca decide não entregar o Prêmio Nobel de Literatura deste ano». G1
↑ «Após escândalo, Academia Sueca decide não dar Nobel de Literatura em 2018». Folha de S.Paulo. 4 de maio de 2018
Ligações externas |
- Listagem oficial do prêmio Nobel de Literatura
- O Prêmio Nobel de Literatura