Função contínua
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Em matemática, uma função é contínua quando, intuitivamente, as pequenas variações nos objectos correspondem a pequenas variações nas imagens. Nos pontos onde a função não é contínua, diz-se que a função é descontínua, ou que se trata de um ponto de descontinuidade.
Índice
1 Definições de continuidade
1.1 Em espaço topológico
1.1.1 Exemplos
1.2 Em espaço métrico
1.2.1 Exemplo
1.3 Equivalência das definições
1.4 Em termos de limites
2 Função sequencialmente contínua
3 Propriedades
4 Referências
Definições de continuidade |
Em espaço topológico |
Diz-se que uma função f:X→Y{displaystyle f:Xrightarrow Y} entre espaços topológicos é contínua se a imagem recíproca de qualquer aberto de Y{displaystyle Y}
é um aberto de X.{displaystyle X.}
Exemplos |
Esta função é descontínua nos inteiros.
Estes exemplos usam propriedades da imagem recíproca, ou seja, dada uma função f:X→Y{displaystyle f:Xrightarrow Y} e um conjunto A⊂Y,{displaystyle Asubset Y,}
o conjunto f−1(A)={x∈X|f(x)∈A}.{displaystyle f^{-1}(A)={xin X|f(x)in A}.}
- Seja X{displaystyle X}
um conjunto com a topologia discreta τX=P(X),{displaystyle tau _{X}=P(X),}
Y{displaystyle Y}
com qualquer topologia, então qualquer função f:X→Y{displaystyle f:Xrightarrow Y}
é contínua.
Basta ver que, ∀A∈Y{displaystyle forall Ain Y} aberto temos que, f−1(A)∈P(X),{displaystyle f^{-1}(A)in P(X),}
e portanto é aberto, o que mostra que f{displaystyle f}
é uma função contínua.
- Seja Y{displaystyle Y}
um conjunto com a topologia grosseira τY={∅,Y},{displaystyle tau _{Y}={varnothing ,Y},}
X{displaystyle X}
com qualquer topologia, então qualquer função f:X→Y{displaystyle f:Xrightarrow Y}
é contínua.
De fato, pois, como os dois únicos abertos de τY{displaystyle tau _{Y}} são ∅{displaystyle varnothing }
e Y,{displaystyle Y,}
basta verificar se suas imagens inversas são abertos. Mas f−1(∅)=∅{displaystyle f^{-1}(varnothing )=varnothing }
e f−1(Y)=X,{displaystyle f^{-1}(Y)=X,}
e, por definição, ∅{displaystyle varnothing }
e X{displaystyle X}
são abertos em qualquer topologia em X.{displaystyle X.}
- Sejam f:X→Y{displaystyle f:Xrightarrow Y}
e g:Y→Z{displaystyle g:Yrightarrow Z}
funções contínuas. Então g∘f:X→Z{displaystyle gcirc f:Xrightarrow Z}
também é uma função contínua.
Fato pois: qualquer que seja A⊂Z{displaystyle Asubset Z} aberto, pela continuidade de g,{displaystyle g,}
temos que g−1(A){displaystyle g^{-1}(A)}
é um aberto em Y.{displaystyle Y.}
Portanto, pela continuidade de f,{displaystyle f,}
f−1(g−1(A)){displaystyle f^{-1}(g^{-1}(A))}
é um aberto em X.{displaystyle X.}
Mas f−1(g−1(A))=(g∘f)−1(A),{displaystyle f^{-1}(g^{-1}(A))=(gcirc f)^{-1}(A),}
o que prova a continuidade de g∘f.{displaystyle gcirc f.}
Em espaço métrico |
Diz-se que uma função f{displaystyle f} é contínua no ponto x=a{displaystyle x=a}
se a{displaystyle a}
é um ponto isolado do domínio ou, caso seja ponto de acumulação de X,{displaystyle X,}
se existir o limite de f(x){displaystyle f(x)}
com x{displaystyle x}
tendendo a a{displaystyle a}
e esse limite for igual a f(a).{displaystyle f(a).}
OBS.: Não faz sentido calcular limites em pontos que não são de acumulação. Caso insistíssemos teríamos que qualquer valor seria limite de f(x){displaystyle f(x)} com x{displaystyle x}
tendendo a a{displaystyle a}
Em análise real, essa definição é escrita na forma tradicional Epsilon-Delta, ou seja, diz-se que uma função f{displaystyle f} é contínua num ponto a{displaystyle a}
do seu domínio se, dado ϵ>0,∃δ>0{displaystyle epsilon >0,exists delta >0}
tal que ∀x∈X,a−δ<x<a+δ{displaystyle forall xin X,a-delta <x<a+delta }
então f(a)−ϵ<f(x)<f(a)+ϵ.{displaystyle f(a)-epsilon <f(x)<f(a)+epsilon .}
Esta definição, com uma pequena adaptação, pode ser usada para uma função de um espaço métrico E{displaystyle E} em outro espaço métrico F:{displaystyle F:}
a função f{displaystyle f}
é contínua em a∈E{displaystyle ain E}
quando dado ϵ>0,∃δ>0{displaystyle epsilon >0,exists delta >0}
tal que ∀x∈E,dE(x,a)<δ→dF(f(x),f(a))<ϵ.{displaystyle forall xin E,d_{E}(x,a)<delta rightarrow d_{F}(f(x),f(a))<epsilon .}
Em termos de bolas, dados dois espaços métricos M,N{displaystyle M,N} dizemos que a aplicação f:M⟶N{displaystyle f:Mlongrightarrow N}
é contínua em a∈M{displaystyle ain M}
se, dada uma bola aberta B′=B(f(a),ϵ){displaystyle B'=B(f(a),epsilon )}
de centro f(a){displaystyle f(a)}
e raio ϵ{displaystyle epsilon }
pode-se encontrar uma bola B=B(a,δ),{displaystyle B=B(a,delta ),}
de centro a{displaystyle a}
e raio δ{displaystyle delta }
tal que f(B)⊂B′.{displaystyle f(B)subset B'.}
[1]
Diz-se que f é contínua em seu domínio, ou simplesmente contínua, se ela for contínua em todos os pontos desse domínio.
Exemplo |
- Seja f:X⟶Y,{displaystyle f:Xlongrightarrow Y,}
X{displaystyle X}
e Y{displaystyle Y}
espaços métricos não vazios. Se ∀x,y∈X{displaystyle forall x,yin X}
tivermos que d(f(x),f(y))≤c⋅d(x,y),{displaystyle d(f(x),f(y))leq ccdot d(x,y),}
então a aplicação f{displaystyle f}
é contínua e a constante c{displaystyle c}
é chamada de constante de Lipschitz. Na reta Real toda aplicação Lipschitiziana é uniformemente contínua.
Equivalência das definições |
Se E{displaystyle E} e F{displaystyle F}
são espaços métricos, e τE e τF{displaystyle tau _{E}{mbox{ e }}tau _{F}}
as topologias geradas pelas métricas em E{displaystyle E}
e F,{displaystyle F,}
então uma função f:E→F{displaystyle f:Erightarrow F}
é contínua pela definição topológica se, e somente se, ela é contínua pela definição métrica.
Em termos de limites |
Uma função f(x){displaystyle f(x)} é dita ser contínua em um ponto a{displaystyle a}
de seu domínio se:
Observa-se que esta definição exige que o limite à esquerda exista assim como o limite da direita e que a função esteja definida no ponto com o mesmo valor de limite para o ponto.
Função sequencialmente contínua |
Uma função f:E→F,{displaystyle f:Erightarrow F,} em que E{displaystyle E}
e F{displaystyle F}
são espaços topológicos, é sequencialmente contínua em um ponto a∈E{displaystyle ain E}
quanto ela comuta com o limite de sequências, ou seja, quando para toda sequência xi∈E{displaystyle x_{i}in E}
cujo limite (em E{displaystyle E}
) seja a,{displaystyle a,}
temos que o limite (em F{displaystyle F}
) de f(xi){displaystyle f(x_{i})}
é f(a).{displaystyle f(a).}
Uma forma elegante de escrever isso é limi→∞f(xi)=f(limi→∞xi).{displaystyle lim _{irightarrow infty }f(x_{i})=f(lim _{irightarrow infty }x_{i}).}
Propriedades |
- Função Composta: Se f:E→F{displaystyle f:Eto F}
e g:F→G{displaystyle g:Fto G}
são funções contínuas, então é imediato (pela definição topológica) que a função composta g∘f:E→G{displaystyle gcirc f:Eto G}
é contínua.
- Se f:X→Y{displaystyle f:Xrightarrow Y}
é uma bijeção contínua de um espaço topológico compacto X{displaystyle X}
em um espaço topológico de Hausdorff Y,{displaystyle Y,}
então f{displaystyle f}
é um homeomorfismo.
- O conjunto dos zeros de uma aplicação contínua entre um espaço topológico X{displaystyle X}
e a reta real R,{displaystyle mathbb {R} ,}
com a topologia usual, é um conjunto fechado. Em particular, o conjunto das matrizes singulares é fechado em Rn×n,{displaystyle mathbb {R} ^{ntimes n},}
pois o determinante define uma aplicação contínua nesse espaço.
- Sejam X{displaystyle X}
e Y{displaystyle Y}
dois espaços topológicos, U⊂X{displaystyle Usubset X}
e f:X→Y{displaystyle f:Xrightarrow Y}
uma aplicação contínua. Então f{displaystyle f}
restrita a U{displaystyle U}
ainda é uma aplicação contínua.
Referências |
Munkres, J. (1966). Elementary Differential Topology, edição revisada. Col: Annals of Mathematics Studies 54. [S.l.]: Princeton University Press. ISBN 0-691-09093-9
Lima, Elon Lages (2013). Análise Real - Funções de uma variável. Col: Coleção Matemática Universitária. 1 12ª ed. [S.l.]: IMPA. 198 páginas. ISBN 978-85-244-0048-3
↑ LAGES, Elon (1977). Espaços métricos. Rio de Janeiro: IMPA. 32 páginas|acessodata=requer|url=(ajuda)