Ateísmo de Estado
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| Ateísmo |
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Símbolo criado pela Aliança Ateia Internacional em 2007 |
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Ateísmo de Estado é a promoção oficial do ateísmo por um governo, eventualmente, com supressão coercitiva da liberdade religiosa e anticlericalismo estatal ativo[1]. Em contraposição, um estado secular objetiva ser oficialmente neutro em relação à religião ou antirreligião. A rejeição de todas as formas de religião por um Estado em favor do ateísmo pode vir acompanhada da supressão da liberdade de expressão e religiosa, como no caso da União Soviética.[2][3][4] O ateísmo de estado pode se referir aos governos anticlericais, opondo-se ao poder religioso institucionalizado e a influência religiosa em todos os aspectos da vida pública e política, incluindo o envolvimento da religião no dia a dia dos cidadãos.
Segundo alguns autores, apenas os governos autointitulados comunistas procuraram promover o ateísmo como uma lei pública, de acordo com a doutrina do materialismo dialético marxista.[5] Mesmo assim, houve estados ateístas sem ligacão com políticas comunistas: A França durante a revolução francesa promoveu um estado de ateísmo com a campanha de descristianizacão em favor do Culto da Razão; A constituição México de 1917 foi origianalmente anticlerical e restringiu a liberdade religosa com a lei de tolerância de cultos do presidente Plutarco Elías Calles.
Estados ateus foram implementados nos países comunistas da antiga União Soviética,[3][6]China comunista, Albânia comunista, Afeganistão comunista, Coreia do Norte e Mongólia comunista. O ateísmo nestes países inclui uma oposição ativa contra a religião, e perseguição de instituições religiosas, líderes e fiéis. A União Soviética teve êxito social em proclamar o ateísmo e discriminar igrejas, essa atitude foi especialmente observada sob Stalin.[7][8][9] A União Soviética tentou impor o ateísmo em vastas áreas da sua influência, incluindo locais como a Ásia Central.[10] A Albânia comunista sob Enver Hoxha chegou a proibir oficialmente a prática de qualquer religião.
Índice
1 Estados ateus
1.1 Albânia
1.2 União Soviética
1.3 República Popular da China
1.4 Camboja sob o Khmer Vermelho
1.5 Mongólia
2 Ver também
3 Referências
Estados ateus |
É frequentemente dito que a ideologia comunista defende explicitamente o Estado ateu e a supressão da religião, de acordo com Karl Marx o fundador da ideologia comunista, a religião é uma ferramenta utilizada pelas classes dominantes para que as massas possam "aliviar" brevemente seu "sofrimento", através do ato de "experiências e emoções" religiosas. Marx afirma que é do interesse das classes dominantes inculcar nas massas a convicção religiosa que os seus atuais sofrimentos levarão a uma "eventual felicidade". Assim, enquanto as massas acreditarem na religião, eles não tentariam fazer qualquer esforço genuíno para compreender e superar a verdadeira fonte de seu sofrimento, o que, na opinião do Marx foi o seu sistema econômico não comunista.[11] Muitas vezes, interpretou-se que Marx defendia que a religião seria utilizada para "controlar as pessoas", e que seria o "ópio do povo". Esta é a principal razão que a maioria dos regimes comunistas no passado e no presente restringiram a liberdade religiosa e proibiram cultos religiosos.
Albânia |
A Albânia tornou-se um Estado ateu declarado por Enver Hoxha,[12] e manteve-se assim a partir de 1967 até 1991.[13] A tendência ateísta na Albânia foi levada ao extremo durante o regime quando religiões foram identificadas como importações estrangeiras para a cultura albanesa e foram totalmente proibidas.[13] Esta política foi aplicada e sentida principalmente no interior das fronteiras do atual estado albanês, produzindo uma maioria da população não religiosa.
A Lei de Reforma Agrária, de Agosto de 1945 nacionalizaram as propriedades de instituições religiosas, incluindo os bens de mosteiros, ordens e dioceses. Em Maio de 1967, todas as instituições religiosas tinham renunciado a 2.169 igrejas, mesquitas, claustros, e santuários, muitos dos quais foram convertidos em centros culturais para os jovens. Muitos imãs muçulmanos e sacerdotes ortodoxos renunciaram ao seu passado. Mais de 200 clérigos de diferentes religiões foram detidos, enquanto outros foram obrigados a procurar emprego em qualquer indústria ou agricultura. Como as obras literárias mensais da editora Tëtë Nëntori relataram, a Albânia "criou a primeiro nação Ateísta do mundo." De 1967 até o fim do regime comunista, foram proibidos as práticas religiosas do país que foi proclamado oficialmente ateu, marcando um evento que aconteceu pela primeira vez na história mundial.
União Soviética |
Capa de uma edição da revista satírica, ateísta e antirreligiosa Bezbozhnik ("Os sem-Deus") publicada na União Soviética de 1922 a 1941.
A URSS desde 1922 tornou-se um Estado ateísta. Em 1934, 28% das igrejas ortodoxas cristãs, 42% das mesquitas muçulmanas e 52% das sinagogas judaicas foram fechadas na URSS.[14] O ateísmo na URSS era baseado na ideologia marxista-leninista. Tal como o fundador do Estado soviético, Lenin falou o seguinte sobre a URSS e as religiões:
A religião é o ópio do povo: este ditado de Marx é a pedra angular de toda a ideologia do marxismo sobre religião. Todas as modernas religiões e igrejas, todos (…) os tipos de organizações religiosas são sempre considerados pelo marxismo como órgãos de reação burguesa, usados para a proteção da exploração e o assombro da classe trabalhadora. [15]
O Marxismo-leninismo tem defendido firmemente o controle, repressão, e, em última análise, a eliminação das crenças religiosas[carece de fontes]. Dentro de cerca de um ano da revolução, o estado expropriou todos os bens da Igreja, incluindo as próprias igrejas, e no período de 1922 a 1926, 28 bispos Ortodoxos Russos e mais de 1.200 sacerdotes foram mortos (um número muito maior foi objeto de perseguição).[16]
A Catedral de Cristo Salvador de Moscou, a sede da Igreja Ortodoxa Russa e seu templo mais sagrado, foi destruída em duas rodadas de explosões por ordens diretas de Stalin em 1931,[17] milhares de sacerdotes protestaram contra a decisão e foram presos e enviados à Gulags, em seu lugar os comunistas pretendiam construir o "Palácio dos Sovietes", a sede do governo stalinista.[18] A Igreja Ortodoxa Russa possuía 54.000 paróquias durante a Primeira Guerra Mundial, que foi reduzida para 500 em 1940.[16] A maioria dos seminários foram fechados, a publicação de escrita religiosa foi proibida.[16] Embora historicamente a grande maioria da Rússia fosse cristã, apenas 17 a 22% da população é atualmente cristã.[19]
República Popular da China |
A República Popular da China foi criada em 1949 e durante a maior parte de sua história manteve uma atitude hostil para com a religião que era visto como sinônimo do feudalismo e do colonialismo estrangeiros. Templos, mesquitas e igrejas, foram convertidos em edifícios para utilização estatais.[20] Durante a Revolução Cultural, a religião foi condenada como feudal e milhares de edifícios religiosos foram pilhados e destruídos.
Esta atitude, porém, foi consideravelmente flexibilizada no final dos anos 1970, com o fim da Revolução Cultural. A Constituição de 1978 da República Popular da China garantiu a liberdade de religião, embora com algumas restrições. Desde meados da década de 1990 tem havido um enorme programa para reconstruir templos budistas e taoistas que foram destruídos na Revolução Cultural. Há cinco religiões reconhecidas pelo Estado: Confucionismo, Budismo, Taoismo, Islamismo,e Cristianismo (tanto católico quanto protestante).[21]
Camboja sob o Khmer Vermelho |
Pol Pot reprimiu no Camboja a religião budista: monges foram assassinados; templos e artefatos, incluindo as estátuas de Buda, foram destruídas. Comunidades cristãs e muçulmanas estavam entre as mais perseguidas. A catedral católica de Phnom Penh foi completamente arrasada. O Khmer Vermelho forçou os muçulmanos à comer carne de porco, que eles consideram como uma abominação. Muitos daqueles que se recusaram foram mortos. Os cleros cristãos e muçulmanos foram executados.[22][23] Quarenta e oito por cento de cristãos cambojanos foram mortos por causa de sua religião.[24]
Mongólia |
Em 1936 e 1937, um grande ataque à fé budista começou. Ao mesmo tempo, foram efetuados expurgos no Partido Comunista e exército mongol. O líder da Mongólia naquela época era Khorloogiin Choibalsan, de ideologia stalinista.
Ver também |
- Críticas ao ateísmo
- Estado laico
- Ateísmo marxista-leninista
- Religião
- Secularismo
- Teocracia
Referências
↑ Albania: The First Atheist State por Robert Royal
↑ Protest for Religious Rights in the USSR: Characteristics and Consequences, David Kowalewski, The Russian Review, Vol. 39, No. 4 (Oct., 1980), pp. 426-441.
↑ ab http://www.jstor.org/pss/128810
↑ Wolak (2004):104.
↑ http://www.bambooweb.com/articles/S/t/State_atheism.html
↑ Greeley (2003).
↑ Pospielovsky (1998):257.
↑ Miner (2003):70.
↑ Davies (1996):962.
↑ Pipes (1989):55.
↑ Marx (1844).
↑ Sang M. Lee writes that Albania was "[o]fficially an atheist state under Hoxha…" Restructuring Albanian Business Education Infrastructure August 2000 (Accessed 6 June 2007)
↑ ab Representations of Place: Albania, Derek R. Hall, The Geographical Journal, Vol. 165, No. 2, The Changing Meaning of Place in Post-Socialist Eastern Europe: Commodification, Perception and Environment (Jul., 1999), pp. 161-172, Blackwell Publishing on behalf of The Royal Geographical Society (with the Institute of British Geographers)
↑ Religions attacked in the USSR (Beyond the Pale)
↑ Lenin, V. I. «About the attitude of the working party toward the religion.». Collected works. p. 41. Consultado em 9 de setembro de 2006
↑ abc Country Studies: Russia-The Russian Orthodox Church U.S. Library of Congress, Accessed Apr. 3, 2008
↑ Time Magazine, December 14, 1931, mentioned demolition by liquid air cartridges; this is not corroborated by current Russian sources www.time.com
↑ A Catedral de Cristo Salvador. Site Ecclesia. Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires e América do Sul.
↑ Cole, Ethan Gorbachev Dispels 'Closet Christian' Rumors; Says He is Atheist Christian Post Reporter, Mar. 24, 2008
↑ Mao: A História desconhecida. Jon Halliday e Jung Chang. Tradução de Pedro Maio Soares. Editora Companhia Das Letras. ISBN 85-359-0873-0
↑ «White Paper--Freedom of Religious Belief in China». Embassy of the People's Republic of China in the United States of America. Outubro de 1997. Consultado em 5 de setembro de 2007
↑ Pol Pot - MSN Encarta
↑ Cambodia - Society under the Angkar
↑ Rusija tibet tibetas spain russia maskva moscow komunizmas comunismo Lietuva Lithuania genocide communism genocidas holocaust holokaustas stalin lenin marx marksizmas partija …