Dissertação
Dissertação (do latim disertatio ou dissertatione)[1][2] é uma modalidade de redação ou composição, escrita em prosa ou apresentada de forma oral,[3] sobre um tema sobre o qual se devem apresentar e discutir argumentos, provas, exemplos etc.[4] Nos meios universitários, equivale à tese, diferenciando-se no entanto desta pelo volume de material: a dissertação seria o material que envolvesse poucas páginas (até o limite de 100), enquanto a tese rotularia os textos que ultrapassassem esse número. Já pelo aspecto qualitativo, a dissertação pressupõe a capacidade de aplicação de um método de análise e interpretação, enquanto a tese implica a originalidade do tema ou da abordagem à luz da qual é exposta e discutida.[5]
Índice
1 Estrutura
2 Tipos de dissertação
2.1 Dissertação expositiva
2.2 Dissertação argumentativa
3 Críticas
4 Referências
5 Ver também
6 Ligações externas
Estrutura |
Dentro da dissertação, podem existir descrições, narrações, comparações etc.[6] e também a interferência do autor por meio de digressões e parênteses explicativos, como, por exemplo, a obra Os Rougon-Macquart, do escritor naturalista Émile Zola.[5]
Comumente, o texto dissertativo escolar é composto por 3 partes:
- Introdução: apresentação da ideia principal de acordo com o tema.
- Desenvolvimento: a parte onde desenvolve-se o argumento.
- Conclusão: o resumo das ideias discutidas, o resultado final.
Tipos de dissertação |
Dissertação expositiva |
É a modalidade de texto explicativa sem a intenção de convencer o leitor, debater, polemizar ou contestar posições diferentes.[7][8]
Dissertação argumentativa |
É a modalidade de texto que tenta convencer o leitor sobre algo com base em raciocínio e evidências de provas. A dissertação argumentativa não dá espaço para o leitor ter suas próprias conclusões uma vez que a conclusão já se encontra no texto, de modo que a única possibilidade de interpretação é a aceitação da conclusão proposta por parte do autor.[9] Este tipo de redação é a base que mantém o discurso forense por sua natureza persuasiva.[10]
Quanto ao ponto de vista do autor presente na dissertação argumentativa, temos, ainda, os seguintes tipos de dissertação:
- Dissertação subjetiva
O autor se envolve claramente no texto ao expressar suas ideias e usar verbos na primeira pessoa.[11]
- Dissertação objetiva
O autor usa verbos na terceira pessoa defendendo conceitos conhecidos ou universais, já expressos anteriormente por outros. É o tipo de dissertação comumente pedido em provas de concursos.[11]
Críticas |
Capa de dissertação apresentada à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo para obtenção de título de mestre em filosofia
Em seu conceito de educação bancária, Paulo Freire afirmou que a narração e a dissertação são suas características marcantes:[14]
A narração ou a dissertação que implica num sujeito - o narrador - e em objetos pacientes, ouvintes - os educandos. Mantendo a contradição entre educador e educando, a narração não promove a educação: "narração de conteúdos que, por isto mesmo, tendem a petrificar-se ou a fazer-se algo quase morto.(...) Essa educação apresenta retalhos da realidade de forma estática, sem levar em conta a experiência do educando."[15]
—Freire, P.
Lucídio Bianchetti criticou a forma como a produção de dissertações é ensinada nas escolas que seguem um modelo de preenchimento artificial da estrutura "introdução-desenvolvimento-conclusão", essa prática resulta em conclusões forçosamente otimistas:[16]
Como as propostas de redação envolvem temas que implica discussão e crítica, a conclusão nessas produções textuais apontam para uma solução do problema posto no início. E a solução não é proposta em decorrência dos conflitos apontados, é uma solução desejada, sonhada pelo vestibulando (a maioria adolescente). "O mundo é bom e o amor até existe", é uma proposição que sintetiza as conclusões dessas redações. Não importa qual é o conflito, a conclusão é, não raro, uma solução cor-de-rosa.[16]
—Bianchetti, L.
Referências
↑ Moisés, Massaud (1997). Dicionário de Termos Literários revisada e ampliada ed. [S.l.]: Editora Pensamento-Cultrix. p. 128. ISBN 9788531601309
↑ FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 599.
↑ FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 599.
↑ Dicionário UNESP do português contemporâneo. [S.l.]: UNESP. p. 447. ISBN 978-85-7139-576-3
↑ ab Massaud Moisés (2002). Dicionário de termos literários. [S.l.]: Editora Cultrix. p. 128. ISBN 978-85-316-0130-9
↑ Nestor Delvaux (1967). Português no curso colegial, la. série: cursos claśsico, científico, comercial, industrial e normal. [S.l.]: Editora F.T.D. p. 37
↑ Laine de Andrade e Silva. Redação: qualidade na comunicação escrita. [S.l.]: IBPEX. pp. 25–. ISBN 978-85-99583-99-9. Consultado em 25 de agosto de 2013
↑ J. Simões - José Ferreira Simões. Língua Portuguesa Aplicada À Leitura E À Produção de Textos. [S.l.]: J. Simões. p. 170. ISBN 978-85-99109-03-8
↑ Lúcia Santaella (2001). Matrizes da linguagem e pensamento: sonora, visual, verbal : aplicações na hipermídia. [S.l.]: Editora Iluminuras Ltda. p. 361. ISBN 978-85-7321-152-8
↑ Nelson Maia Schocair. Portugues Juridico. [S.l.]: CAMPUS JURIDICO. p. 155. ISBN 978-85-352-3063-5
↑ ab RENATO AQUINO. Português Para Concursos. [S.l.]: CAMPUS. p. 268. ISBN 978-85-352-1798-8
↑ Ronald Sanson Stresser Junior, A nova Lei de Drogas, Site Observatório da imprensa, 04/06/2013 na edição 749
↑ Jorge de Figueiredo Dias, Uma proposta alternativa ao discurso da criminalização/descriminalização das drogas , Site do Instituto Baiano de Direito Processual Penal
↑ Vicente Zatti. Autonomia e Educação em Immanuel Kant & Paulo Freire. [S.l.]: EDIPUCRS. p. 47. ISBN 978-85-7430-656-8
↑ Paulo Freire. Pedagogia do oprimido. [S.l.]: Paz e Terra. p. 65. ISBN 978-85-7753-016-8
↑ ab Lucídio Bianchetti (2002). Trama e texto. [S.l.]: Grupo Editorial Summus. p. 107. ISBN 978-85-323-0778-1
Ver também |
- Descrição
- Narração
- Redação
- Discurso
- Tipos textuais
Ligações externas |
Considerações a respeito de tipologia textual Português Ensino a Distância, UFRJ
- Como elaborar Dissertações e Teses - Diretrizes para elaboração de dissertações e teses na EESC-USP