Francisco Franco
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Francisco Franco | |
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Caudilho da Espanha | |
Período | 1 de Outubro de 1936 até 20 de Novembro de 1975 |
Antecessor | Manuel Azaña Díaz (Presidente da República Espanhola, de 10 de Maio de 1936 a 28 de Fevereiro de 1939) |
Sucessor | Juan Carlos I a título de Rei de Espanha |
Presidente do Governo da Espanha | |
Período | 30 de Janeiro de 1938 até 8 de Junho de 1973 |
Antecessor | Juan Negrín |
Sucessor | Luis Carrero Blanco |
Dados pessoais | |
Nome completo | Francisco Paulino Hermenegildo Teódulo Franco Bahamonde Salgado-Araujo y Pardo de Lama |
Nascimento | 4 de dezembro de 1892 Ferrol, Galiza Espanha |
Morte | 20 de novembro de 1975 (82 anos) Madrid, Espanha |
Nacionalidade | espanhol |
Progenitores | Mãe: María del Pilar Bahamonde Pardo de Andrade Pai: Nicolás Franco Salgado-Araújo |
Alma mater | Academia de Infantaria de Toledo |
Cônjuge | Carmen Polo de Franco |
Partido | FET y de las JONS//Movimiento Nacional |
Religião | Católico |
Profissão | Militar |
Assinatura | ![]() |
Serviço militar | |
Lealdade | ![]() ![]() |
Serviço/ramo | Forças Armadas da Espanha |
Anos de serviço | 1907-1975 |
Graduação | Capitão-General dos exércitos de terra e ar |
Batalhas/guerras | Guerra do Rif Revolução de 1934 Guerra Civil Espanhola Guerra de Ifni |
Francisco Franco GColTE • GCBTO (Ferrol, 4 de dezembro de 1892 — Madrid, 20 de novembro de 1975) foi um militar, chefe de Estado e ditador espanhol.[1] Conhecido como "Generalíssimo", Francisco Franco ou simplesmente Franco, integrou o golpe de Estado na Espanha em julho de 1936 contra o governo da Segunda República, que deu início a Guerra Civil Espanhola.[2] Foi nomeado como chefe supremo da tropa sublevada em 10 de outubro de 1936, exercendo como chefe de Estado da Espanha desde o final do conflito até seu falecimento em 1975, e como chefe de Governo entre 1938 e 1973.
Foi "Chefe Nacional" do partido único Falange Espanhola Tradicionalista e das JONS (Juntas Ofensivas Nacional Sindicalistas),[3] nos quais se apoiou para estabelecer um regime fascista no começo de seu governo, que mais tarde derivaria em uma ditadura, conhecida como franquismo, de tipo conservador, católico e anticomunista. A mudança de seu regime se deveu à derrota do fascismo na Segunda Guerra Mundial. Aglutinou em torno ao culto a sua imagem, diferentes tendências do conservadorismo, nacionalismo e catolicismo, opostas à esquerda política e ao desenvolvimento de formas democráticas de governo.
Durante o seu mandato à frente do Exército e da Chefia do Estado, especialmente durante a Guerra Civil e os primeiros anos do regime, tiveram lugar múltiplas violações dos direitos humanos, segundo assinalam numerosas pesquisas históricas e denúncias de pessoas.[4] A cifra total de vítimas mortais varia em torno de 400 mil mortes,[5][6][7][8][9] na maioria em campos de concentração, execuções extrajudiciais ou em prisão.[10][11][12]
Ao contrário de Hitler e Mussolini, o governo Franco, devido à teórica neutralidade na Segunda Guerra Mundial, resistiu ao conflito. Mas o líder fascista liderava um país industrialmente atrasado, bem mais pobre que outras nações europeias. E, apesar de não gostar particularmente de futebol, viu no esporte uma forma da Espanha passar a ser conhecida positivamente no exterior.
Depois de um governo de quase quarenta anos, Franco restaurou a monarquia e deixou o Rei Juan Carlos I como seu sucessor. Juan Carlos liderou a transição para a democracia, deixando a Espanha com seu atual sistema político.
Índice
1 Vida
2 Literatura
3 Cronologia sumária
4 Ver também
5 Referências
6 Bibliografia
7 Ligações externas
Vida |
Nascido Francisco Paulino Hermenegildo Teódulo Franco Bahamonde Salgado-Araujo y Pardo de Lama[13] na cidade galega de Ferrol, estudou na Academia de Infantaria de Toledo. Entre 1912 e 1917, distinguiu-se nas campanhas bélicas do Marrocos espanhol. Após uma estada de três anos em Oviedo, voltou ao Marrocos, onde combateu às ordens de Rafael de Valenzuela y Urzaiz e de Millán Astray, destacando-se pelo seu valor e frieza no combate.[14] Em 1923, apadrinhado por Afonso XIII, casou-se com Carmen Polo, de uma família da burguesia das Astúrias.
Destinado novamente a Marrocos com a patente de tenente-coronel, assumiu o comando da Legião Espanhola em 1923 e participou activamente no desembarque na baía de Alhucemas e na reconquista do Protectorado (1925). É considerado, juntamente com José Sanjurjo, o mais brilhante dos militares chamados africanistas. Entre 1928 e 1931 dirigiu a Academia Militar de Saragoça.[15]
Quando da implantação da República (1931), foi afastado de cargos de responsabilidade e destacado para os governos militares da Corunha e das Baleares. Com o triunfo das forças de direita em 1933, regressou a altos cargos do Exército. Planificou a cruel repressão da Revolução das Astúrias (1934) com tropas da Legião.[14] Quando José María Gil-Robles ocupou o Ministério da Guerra, foi nomeado Chefe do Estado-Maior Central (1935). Em 1936, o Governo da Frente Popular o nomeou comandante militar das Canárias. Dali manteve contacto com Emilio Mola (chamado «O Director») e Sanjurjo, que preparavam o levantamento militar.
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Francisco Franco junto ao presidente Dwight Eisenhower dos Estados Unidos.
Em 17 de Julho voou das Canárias até Marrocos, revoltou a guarnição e tornou-se comandante das tropas. Cruzou o Estreito de Gibraltar com meios precários (aviões cedidos por Mussolini e Hitler e navios de pouca tonelagem)[15] e avançou até Madrid por Mérida, Badajoz e Talavera de la Reina. Apoderou-se rapidamente da direcção militar e política da guerra (Setembro de 1936), e em 1 de Outubro de 1936 converteu-se em Chefe do Estado, chefiando igualmente o Governo. Em Abril de 1937 uniu os falangistas da Falange Espanhola das Juntas de Ofensiva Nacional-Sindicalista, FE-JONS, e os monárquicos carlistas da Comunhão Tradicionalista numa única força política, a FET y de las JONS (Falange Espanhola Tradicionalista e das JONS), e colocou-se à frente da nova organização como seu Chefe Nacional Caudilho. Anos mais tarde, disse que apenas prestaria contas da sua atividade "perante Deus e perante a História".
Terminada a guerra civil espanhola empreende a reconstrução do país.[14] Recebeu o Grande-Colar da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito a 30 de Junho de 1939.[16] Não só não quer contar com os vencidos para esta tarefa, mas também a repressão e os fuzilamentos se prolongam durante, pelo menos, um lustro. Cria um estado católico, autoritário e corporativo que recebe o nome de franquismo. Apesar das suas estreitas relações com a Alemanha e a Itália (ver: analogia fascismo-caudilhismo), mantém a neutralidade espanhola durante a Segunda Guerra Mundial. Terminada esta, os vencedores isolam o regime franquista. Contudo, este foi se consolidando na base da promulgação das novas Leis Fundamentais: criação das Cortes Espanholas (1942), o Foro dos Espanhóis (1945), Lei do Referendo Nacional (1945), Lei da Sucessão na Chefia do Estado (1947) etc.
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Franco e sua esposa, Carmen Polo.
Em 1953 são restabelecidas as relações diplomáticas com os Estados Unidos e, em 1955, o regime de Franco é reconhecido pela Organização das Nações Unidas.[15] Recebeu a Banda das Três Ordens a 14 de fevereiro de 1962. Em 1966 promulga uma nova lei fundamental às já existentes, a (Lei Orgânica do Estado) e três anos mais tarde apresenta às Cortes, como sucessor a título de Rei, o Príncipe Juan Carlos, neto de Afonso XIII. Em Junho de 1973 cede a presidência do Governo ao seu mais directo colaborador, Luis Carrero Blanco. A morte deste num atentado, poucos meses depois, é o princípio da decomposição do regime.
Sob sua liderança, a economia espanhola inicialmente sofreu. Ao fim da década de 1950, Franco substituiu os ministros ideológicos por tecnocratas apolíticos que implementaram diversas reformas. Assim, a economia do país prosperou pelos próximos anos no que ficou conhecido com o "Milagre Espanhol". Ao mesmo tempo, a repressão política se intensificou e opositores eram cassados sem misericórdia. Qualquer voz dissidente ou movimento antigovernista era reprimido com brutalidade. Isso gerou um fluxo emigratório, com milhares de pessoas deixando o país para outros cantos da Europa e para a América do Sul. A economia, contudo, continuou no caminho do crescimento especialmente devido ao capital estrangeiro. Empresas multinacionais abriram fábricas na Espanha, puxando o desemprego para baixo. Essas empresas viam benefícios em fazer negócios em solo espanhol devido a mão de obra barata, ausência de leis trabalhistas (como o direito a greve) e outras despesas (como seguro de saúde para trabalhadores). Quando Franco morreu, a Espanha era a economia que mais crescia na Europa Ocidental. Ao mesmo tempo, a disparidade entre ricos e pobres, apesar de ter encolhido bastante, continuava alta para os padrões europeus na década de 1970.[17]
Apesar do autoritarismo do seu regime, apoio no Mundo Ocidental para a Espanha cresceu após a segunda grande guerra, principalmente devido ao seu cunho anticomunista, que agradava os Estados Unidos e sua política de contenção. Ainda no âmbito externo, tentou inicialmente preservar o império colonial espanhol. Contudo, após fracassos militares e diplomáticos, foi pressionado pela ONU e teve que abrir mão dos poucos territórios ultramarinos que o país ainda possuía (como Guiné Equatorial e Ifni).[17]
Internamente ainda teve que lidar com movimentos que buscavam autonomia para diversas regiões na Espanha além de mais tarde ser responsabilizado pela morte de 23 mil pessoas.[18] Opositores e separatistas foram reprimidos na Catalunha e no País Basco. Outras regiões, como a Galiza, também viram sua autonomia diminuir. Repressão cultural e linguística também ocorreu.
Franco morre após longa doença num hospital de Madrid, em 20 de novembro de 1975.[14][19] Ele governou a Espanha com punho de ferro por quase quarenta anos, se tornando um dos ditadores mais notórios da Europa ocidental.
O legado de Franco, na Espanha e pelo mundo, permanece controverso. Seu regime foi caracterizado por violações constantes de direitos humanos e seu autoritarismo fascista era reconhecido e desdenhado.[20] Franco serviu de modelo para vários ditadores anticomunistas na América do Sul. Augusto Pinochet, por exemplo, era um grande admirador de Franco.[21] Para muitos espanhóis, ele era um déspota sanguinário, mas para outros ele salvou a Espanha do caos e a colocou no caminho da prosperidade.[22][23]
Literatura |
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Um estátua de Franco removida em 2008 pelo Governo espanhol.
Com seu próprio nome, em 1922 editou o livro (despretensiosamente verídico) o «Diario de una bandera». Com o pseudónimo de Jaime de Andrade, escreveu a novela «Raza», que em 1942 inspirou o filme com o mesmo título. Também com pseudónimo, só que de Jakim Boor, publicou uma série de artigos antimaçónicos e anti-semíticos no boletim então já da Falange Espanhola Tradicionalista (Falange), o diário «¡Arriba!», publicados todos eles mais tarde no livro «Masonería».
Mais tarde, já no governo, em 1940 decretaria que todos maçons de seu país estavam condenados a 10 anos de prisão.[24]
No livro Origem,[25] o escritor Dan Brown cita, em várias passagens, características do Governo Franquista na Espanha, citando, inclusive, o Valle de los Caídos, local onde está o corpo do Ditador Espanhol.
Cronologia sumária |
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Túmulo de Francisco Franco no Vale dos Caídos.
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A barra verde simboliza o intervalo de tempo em que foi Chefe do Estado.
Ver também |
- Campos de concentração franquistas
- Franquismo
- Generalíssimo
- Lista de presidentes do Governo da Espanha
Referências
↑ Encyclopædia Britannica: Or, A Dictionary of Arts, Sciences, and Miscellaneous Literature, Enlarged and Improved (em inglês). [S.l.]: Archibald Constable. 1823. 484 páginas
↑ Payne (2000), p. 67
↑ Jerez Mir & Luque 2014, pp. 177-178.
↑ El Norte de Castilla «El Norte de Castilla: «Garzón recibe 130.000 nombres de desaparecidos». www.nortecastilla.es » Consultado el 6 de febrero de 2012
↑ Sinova, J. (2006) La censura de prensa durante el franquismo [The Media Censorship During Franco Regime]. Random House Mondadori. ISBN 84-8346-134-X.
↑ Lázaro, A. (2001). «James Joyce's Encounters with Spanish Censorship, 1939–1966». Joyce Studies Annual. 12: 38. doi:10.1353/joy.2001.0008
↑ Rodrigo, J. (2005) Cautivos: Campos de concentración en la España franquista, 1936–1947, Editorial Crítica. ISBN 8484326322
↑ Gastón Aguas, J. M. & Mendiola Gonzalo, F. (eds.) Los trabajos forzados en la dictadura franquista: Bortxazko lanak diktadura frankistan. ISBN 978-84-611-8354-8
↑ Duva, J. (9 November 1998) "Octavio Alberola, jefe de los libertarios ajusticiados en 1963, regresa a España para defender su inocencia". Diario El País
↑ Hugh Thomas, La guerre d'Espagne, Robert Laffont, 2009, págs.209 y 711.
↑ Richards, Michael (1998) A Time of Silence: Civil War and the Culture of Repression in Franco's Spain, 1936–1945, Cambridge University Press. ISBN 0521594014. p. 11.
↑ Jackson, Gabriel (2005) La república española y la guerra civil RBA, Barcelona. ISBN 8474230063. p. 466.
↑ Payne, Stanley G.; Palacios, Jesús (24 de novembro de 2014). «Franco: A Personal and Political Biography». books.google.es . Madison: The University of Wisconsin Press. p. 263. ISBN 978-0-299-30210-8.
↑ abcd «Francisco Franco». UOL - Educação. Consultado em 19 de Novembro de 2012
↑ abc Emerson Santiago (20 de Setembro de 2011). «Francisco Franco». InfoEscola. Consultado em 19 de Novembro de 2012
↑ «Cidadãos Estrangeiros Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Francisco Franco Bahamonde". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 27 de novembro de 2014
↑ ab «"Francisco Franco - Military Leader, Dictator, General"». www.biography.com . Biography.com. Página acessada em 27 de janeiro de 2017.
↑ «El Gobierno responde que decir "el franquismo solo fusiló a 23.000, y no por capricho" no es delito». www.lainformacion.com
↑ «Hoje na História: 1975 - Morre o ditador espanhol Francisco Franco». Opera Mundi. Consultado em 27 de abril de 2016
↑ «Franco in Spain were also Fascist»
↑ Cedéo Alvarado, Ernesto (4 de fevereiro de 2008). «Rey Juan Carlos abochornó a Pinochet». Panamá América. Consultado em 4 de abril de 2016
↑ Luis Gomez and Mabel Galaz, «La cosecha del dictador». www.elpais.com , El País, 9 de setembro de 2007 (em castelhano)
↑ Churchill, Winston. "The gathering storm", Houghton Mifflin, 1948, p. 221
↑ «As Raízes do Anti-Maçonismo, por Marco Mendes, Construtores da Virtude n.º 5». www.construtoresdavirtude.com.br
↑ Fernandes, José Carlos. «A "Origem" é a Volta a Espanha de Dan Brown». Observador. Consultado em 14 de outubro de 2018
Bibliografia |
- Fernandez, Luis Suarez. Franco, Editorial Ariel;
- Montalbán, Manuel Vázquez. Autobiografia do General Franco, Editora Scritta.
Ligações externas |
Franco e Salazar (em português)
Biografia de Franco (em inglês)
Franco i a doutrina racista de Vallejo-Nájera (em catalão)
Precedido por Manuel Azaña Díaz | Chefe do Estado de Espanha 1936 - 1975 | Sucedido por Juan Carlos I (como Rei de Espanha) |
Precedido por Manuel Azaña Díaz | Presidente Titular da República Espanhola 1939 - 1947 | Sucedido por República abolida |
Precedido por Juan Negrín López | Presidente do Governo da Espanha 1939 - 1973 | Sucedido por Luis Carrero Blanco |